Uma casa de apostas decidiu o próximo técnico da seleção da Italia

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A escolha do novo técnico da seleção italiana tomou um rumo inesperado por um motivo que ultrapassou as quatro linhas. Andrea Pirlo estava entre os nomes mais fortes para assumir a Azzurra e contava com o apoio direto de Paolo Maldini e Leonardo dentro da Federação Italiana de Futebol (FIGC). No entanto, uma relação comercial do ex-meio-campista com uma empresa russa de apostas mudou completamente o cenário.

O episódio envolvendo a Fonbet foi decisivo para que a candidatura de Pirlo perdesse força. Depois de analisar a situação, o presidente da FIGC, Giovanni Malagò, decidiu não aprovar a contratação. Menos de 24 horas depois, Roberto Mancini estava novamente no comando da seleção italiana.

Uma casa de apostas decidiu o próximo técnico da seleção da Italia

Pirlo estava perto de assumir a seleção da Itália

Andrea Pirlo havia se transformado em uma das principais opções para o cargo. Campeão mundial como jogador em 2006 e um dos nomes mais reconhecidos da geração italiana daquele período, ele tinha principalmente o respaldo de Maldini, então diretor técnico da Federação, e de Leonardo, que trabalhava como seu assessor.

A imprensa italiana chegou a tratar a negociação como avançada. A situação, porém, mudou quando ganhou repercussão o contrato comercial mantido por Pirlo com a Fonbet, companhia russa do setor de apostas esportivas.

Pirlo havia se tornado embaixador global da empresa em outubro de 2025, período em que já trabalhava no futebol dos Emirados Árabes Unidos. A associação colocou a Federação diante de uma questão que deixou de ser exclusivamente esportiva.

O contrato com a Fonbet mudou a escolha da FIGC

O impacto do acordo foi tão grande que Malagò solicitou uma análise mais detalhada da relação existente entre Pirlo e a companhia. Segundo informações divulgadas na Itália, a documentação foi examinada pela área jurídica da própria Federação antes da decisão definitiva sobre o treinador.

Do ponto de vista contratual, a ligação poderia ser encerrada. O próprio presidente da FIGC reconheceu posteriormente que não existiria um impedimento jurídico caso Pirlo rescindisse o acordo. Mesmo assim, Malagò considerou que a contratação não era conveniente naquele contexto e retirou sua aprovação.

A discussão colocou em evidência como relações comerciais com empresas do mercado de casas de apostas podem ganhar uma dimensão muito maior quando envolvem personagens que passam a representar oficialmente uma seleção nacional.

Pirlo rejeitou qualquer interpretação política

Depois de ser informado de que havia deixado de ser candidato, Pirlo publicou um posicionamento nas redes sociais. O treinador afirmou que sua colaboração com a Fonbet tinha natureza exclusivamente comercial e esportiva e rejeitou interpretações políticas relacionadas ao contrato.

O italiano também declarou que sempre desenvolveu sua carreira respeitando as leis dos países nos quais trabalhou e os contratos que assinou. Para Pirlo, a relação profissional com a companhia não deveria ser usada para atribuir a ele posições políticas que nunca havia manifestado.

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A manifestação, entretanto, não mudou a decisão da Federação. Naquele momento, a possibilidade de comandar a Azzurra já havia sido encerrada.

Fonbet também entrou em foco na Itália

A repercussão aumentou porque, no mesmo período da controvérsia, domínios relacionados à Fonbet passaram a integrar a lista italiana de sites de jogo não autorizados para captação de apostas no país. A Agência de Alfândegas e Monopólios determinou o bloqueio de endereços associados à empresa dentro de uma atualização mais ampla de sua lista de plataformas não licenciadas.

Esse aspecto não foi apresentado como um impedimento jurídico automático à contratação de Pirlo. Ainda assim, contribuiu para ampliar a exposição pública de uma relação comercial que já estava sendo analisada pela direção da Federação.

O resultado foi incomum: um contrato publicitário tornou-se uma das peças determinantes na escolha do comandante de uma das seleções mais tradicionais do futebol mundial.

Veto a Pirlo provocou crise com Maldini e Leonardo

A decisão teve consequências imediatas dentro da FIGC. Maldini e Leonardo haviam apostado no nome de Pirlo e deixaram seus cargos depois que a indicação não recebeu o aval definitivo de Malagò.

A passagem da dupla pela nova estrutura da Federação terminou apenas poucos dias depois de sua chegada. Maldini havia sido anunciado como diretor técnico, enquanto Leonardo assumira uma função de assessor. A divergência sobre o treinador acelerou a ruptura.

Assim, a Federação deixou de administrar apenas a procura por um novo comandante da seleção e precisou reorganizar também sua direção esportiva.

Roberto Mancini voltou ao comando da Azzurra

A solução apareceu rapidamente. Em 28 de julho de 2026, a própria FIGC anunciou oficialmente Roberto Mancini como novo técnico da seleção italiana e Claudio Ranieri como diretor técnico da Federação e presidente do Club Italia.

Mancini retornou a um cargo que já havia ocupado entre maio de 2018 e agosto de 2023. Sua primeira passagem teve como principal resultado o título da Eurocopa conquistado em 2021, além de uma sequência de 37 partidas sem derrota sob seu comando.

A sequência dos acontecimentos ajuda a explicar o título desta história. A Fonbet evidentemente não escolheu Roberto Mancini nem participou formalmente da decisão da FIGC. Mas o contrato mantido com Pirlo desencadeou uma reação que retirou o antigo favorito da disputa, provocou mudanças na direção da Federação e alterou completamente o processo.

No fim, uma relação comercial ligada ao setor de apostas interferiu indiretamente no caminho da seleção italiana e ajudou a produzir um desfecho que, poucos dias antes, parecia improvável: Roberto Mancini novamente sentado no banco da Azzurra.


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