Dentro de campo, muitos deles aprenderam a conviver com estádios lotados, títulos, idolatria e milhões de torcedores acompanhando cada movimento. Nas urnas, porém, a história foi bem diferente. As eleições de 2026 produziram um resultado especialmente duro para boa parte dos personagens do futebol brasileiro que tentaram transformar popularidade esportiva em mandato político.
Edmundo, Luís Fabiano, Marcelinho Carioca, Washington Coração Valente e Vanderlei Luxemburgo estão entre os nomes conhecidos que entraram na disputa e terminaram sem o cargo pretendido. A lista cresce quando dirigentes e outras figuras vinculadas aos grandes clubes entram na conta.
Fama no futebol não foi suficiente nas urnas
Talvez esse tenha sido o resultado mais evidente da eleição para quem acompanha o futebol. A exposição acumulada durante anos diante das câmeras não garantiu votação suficiente para atravessar uma disputa eleitoral.
Edmundo, ídolo principalmente de Vasco e Palmeiras, tentou uma cadeira de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Terminou a eleição com cerca de 35,7 mil votos e ficou fora da Câmara.
Em São Paulo, Luís Fabiano também encontrou um cenário bem diferente daquele vivido nos tempos em que era referência do São Paulo e presença constante na Seleção Brasileira. Candidato a deputado federal, recebeu aproximadamente 9,6 mil votos e não foi eleito.
Dois jogadores que durante anos mobilizaram torcidas gigantes descobriram, na prática, que reconhecimento esportivo e força eleitoral são coisas bastante diferentes.
Marcelinho Carioca também ficou pelo caminho
No Distrito Federal, Marcelinho Carioca tentou conquistar uma vaga de deputado distrital. Um dos grandes ídolos recentes do Corinthians, o ex-meia recebeu aproximadamente 2,5 mil votos, número insuficiente para chegar à Câmara Legislativa.
Washington Coração Valente, com passagens marcantes por clubes como Fluminense, Athletico-PR e São Paulo, também disputou a eleição no Distrito Federal. Candidato a deputado federal, terminou com pouco mais de 7,5 mil votos e não conseguiu uma cadeira.
Para quem estava acostumado a medir popularidade pelo tamanho das torcidas, os números deixaram uma mensagem bastante objetiva: a camisa de um grande clube ajuda a tornar um candidato conhecido, mas não entrega automaticamente votos.
Luxemburgo sofreu uma das derrotas mais simbólicas
O caso de Vanderlei Luxemburgo talvez seja o mais emblemático. O treinador acumulou títulos brasileiros, comandou a Seleção Brasileira, trabalhou no Real Madrid e atravessou décadas como uma das personalidades mais reconhecidas do futebol nacional.
Nas eleições de 2026, Luxemburgo tentou uma das vagas do Tocantins no Senado. Recebeu 67.987 votos, equivalentes a pouco mais de 4% dos votos válidos, e terminou longe das duas cadeiras disponíveis pelo estado.
Era uma candidatura com nome conhecido nacionalmente e uma carreira que praticamente dispensava apresentações. Ainda assim, o peso construído à beira do gramado não encontrou correspondência nas urnas.
Nem dirigentes escaparam do mau resultado
A derrota do futebol não ficou restrita aos ex-jogadores. No Rio de Janeiro, dois personagens diretamente ligados à história recente do Flamengo também terminaram fora.
Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do clube e candidato à reeleição para deputado federal, recebeu mais de 37 mil votos, mas não renovou o mandato. Marcos Braz, ex-dirigente rubro-negro, também tentou chegar à Câmara e terminou a eleição com pouco mais de 18 mil votos.
Em Minas Gerais, Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético-MG e ex-prefeito de Belo Horizonte, entrou na corrida pelo governo estadual. Mesmo já tendo uma trajetória política fora do esporte, não conseguiu avançar na disputa.
Danrlei destoou da maioria
O cenário não foi de derrota absoluta. Danrlei, histórico goleiro do Grêmio, conseguiu renovar seu mandato de deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Foram pouco mais de 105 mil votos, garantindo sua permanência em Brasília.
Na Bahia, Bobô, ídolo do Bahia e nome que já possui trajetória na política estadual, também apareceu entre as exceções ao desempenho ruim dos antigos jogadores, somando cerca de 70,9 mil votos em sua disputa.
A diferença é importante. Tanto Danrlei quanto Bobô não chegaram às urnas apenas carregando o passado esportivo. Ambos já tinham experiência política e mandatos anteriores, algo bastante diferente da tentativa de transformar fama acumulada nos gramados diretamente em capital eleitoral.
O placar das urnas foi pesado para o futebol
Para um público acostumado a analisar números, desempenho e palpites de futebol, a eleição apresentou um placar difícil de ignorar. A quantidade de derrotas entre jogadores, treinadores e dirigentes famosos foi muito superior à de vitórias.
Dinei da Fiel, Sérgio, Donizete Pantera, Finazzi e Cleo Hickmann também terminaram sem mandato. Alguns registraram votações modestas diante do tamanho da exposição que tiveram durante a carreira esportiva.
Não significa que o futebol tenha perdido espaço na política brasileira. Romário, por exemplo, já mostrou em outras eleições que uma trajetória esportiva pode ser transformada em carreira política duradoura. O resultado de 2026 mostra outra coisa: ser conhecido deixou de ser suficiente para atravessar sozinho uma eleição.
Nas eleições de 2026, o futebol perdeu de goleada
O futebol brasileiro entrou nas eleições com campeões, ídolos de grandes clubes, treinador multicampeão e dirigentes que comandaram algumas das maiores instituições esportivas do país. Saiu com uma coleção muito maior de derrotas do que de mandatos.
Edmundo não entrou. Luís Fabiano não entrou. Marcelinho Carioca não entrou. Washington não entrou. Luxemburgo não entrou. Outros nomes conhecidos seguiram o mesmo caminho.
Danrlei e algumas poucas exceções evitaram um resultado ainda mais duro. Mesmo assim, olhando o conjunto das candidaturas ligadas aos gramados, o mundo do futebol fracassou nas eleições de 2026. Desta vez, camisa pesada, título no currículo e idolatria da torcida não foram suficientes para mudar o placar.
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